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Como um pedaço de papel

por *Márcia S.*, em 03.03.18

Este post não retrata nenhum momento da minha vida

Um dia achamos ter encontrado um no outro a pessoa certa. Aquela pessoa que perdemos horas a sonhar durante noites. E mesmo sem certezas a gente arrisca, nós fazemos acontecer mesmo sem perceber se estamos a seguir o trilho certo. Porque resolvemos seguir em frente se naquele dia tínhamos todas as hipóteses do mundo? Tínhamos todas as cartas na mesa, podíamos ter feito a nossa melhor jogada, mas arriscamos demasiado no incerto. Eu era um pedaço de papel, como poderia resultar com um cubo de gelo?

Um dia achamos que as nossas diferenças não eram nada comparado com o que poderíamos ser. Um da achamos que éramos suficientemente maduros para irmos juntos até onde o destino nos quisesse levar. Mas qual destino, se nós fomos os primeiros a remar contra a maré? Como conseguimos seguir em frente se podíamos ter voltado atrás? Fomos a tempo de voltar atrás e que fizemos nós? Teimamos em não ver que éramos pólos opostos, teimamos em seguir em frente com algo que já estava destinado a ser destruído.

Um dia percebemos que um pedaço de papel e um cubo de gelo seria impossível de permanecerem juntos de forma intacta. Nesse dia o gelo instalou-se em nós, apoderou-se de nós de tal forma que nenhum tipo de tentativa é bem vinda. Quisemos ser o verão, mas nunca saímos do inverno. Lá no fundo, tinamos tudo para ser apenas a primavera e o outono!

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"Carta" a alguém que anda por aí, algures

por *Márcia S.*, em 02.11.17

Hoje senti saudades, daquilo que um dia fomos... Lembras-te? Daqueles dias que eramos apenas nós e que mais nada conseguiamos ver. Aqueles dias que nada mais existia a não sermos nós dois. Bateu aquela saudade de quando me sentia protegida, super feliz por ter alguém do meu lado. Sabes que foram raros os momentos que me senti super feliz por estar acompanhada por alguém do sexo masculino? Esta noite tive saudades de quando tinha o meu amigo comigo, quando pequenas palavras me faziam sentir, de uma forma maravilhosa, completa. Não é que hoje não esteja completa, mas falta-me algo sabes? Bem, na verdade falta sempre algo ao ser humano, não fugi dessa regra. Imaginas as saudades que tenho de ver o teu nome idiota escrito no meu telemóvel? Tenho saudades dos mometos super felizes que tivemos, lembras deles? Não, espera! Eu acho que sonhei durante demasiado tempo. Eu sempre me saí super bem a ter sorte ao azar, não passou tudo de um sonho meu, apenas meu, certo? Tudo não passou de uma fantasia criada na minha mente!? Mas, fantasia ou não, sonho ou não, eu sinto que vivi momentos únicos dos quais hoje me deu uma saudade imensa. Talvez porque, mesmo numa multidão (e talvez pela primeira vez isto me aconteceu) eu me senti realmente sozinha. Não senti medo, senti-me livre como nunca, mas não livre ao ponto de me arriscar! Podia ter arriscado, podia ter apanhado uma daquelas bebedeiras tremenda... Sabes a vontade que tinha de isso acontecer? De qualquer forma não o fiz, porque na realidade não me estavas a acompanhar, não me estavas a fazer sentir protegida como eu desejei sentir. Talvez como não desejei sentir há alguns meses. Hoje senti saudades, sim, dos bons momentos que vivemos, que imaginamos, que sonhamos... Lembras? Não, espera! Tudo não passou de um sonho meu, um sonho duradouro. Muito duradouro! Mas neste sonho foste um companheiro como nunca imaginei algum dia ter, mesmo que por meros segundos.

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Como um puzzle

por *Márcia S.*, em 17.04.16

Ficção

Senti-me como um puzzle, quase montado mas que lhe faltava algo. Faltava-lhe algo, que fazia diferença mas não ao ponto de não ser feliz sem essa peça... talvez pequena mas essencial para que ficasse completo. Não sei se seria a peça que faltava para que ficasse com o tal brilho nos olhos que a certo momento me disseram que perdi. Ou a tal peça para que me voltasse a apaixonar, como me disseram que aconteceria mais tarde ou mais cedo. Não sei se seria a peça que faltava para me fazer acreditar que tudo podia ser diferente da última vez. Talvez fosse a que me faltava para voltar a acreditar. Voltar a acreditar que nem sempre o sentido que poderá ser o certo tem de ter lógica, e poderá ser o que nos dá mais trabalho a percorrer.

É incrível como, a certa altura, tudo pode mudar e encontramos algo que julgávamos não precisar mas afinal faz-nos alguma falta, seja lá de que forma for. Mesmo negando, sabemos bem lá no fundo do que precisamos e muitas vezes negamos o que sabemos querer. Jamais estaremos completos enquanto soubermos o que nos falta e ignorarmos o que nos completa. Talvez hoje seja o dia, o tal dia que me falaram. O dia em que me iria aperceber que, afinal, voltar a gostar não seria tão mau.

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Afinal, não desapareceste!

por *Márcia S.*, em 07.04.16

FICÇÃO

Por momentos pensei que tinhas desaparecido. Que te tinhas decidido a nunca mais manteres contacto comigo e tinhas partido. Sabes? habituei-me à tua ausência. Habituei-me de tal forma que não pensei tão pouco que fosses voltar com toda essa naturalidade. Mas voltaste e, por momentos, fiquei confusa. Tive de olhar várias vezes para o telemóvel para confirmar se aquela mensagem era realmente tua. Sabes o quanto significam meia dúzia de palavras pronunciadas por ti, mesmo que banais, para mim? Só ver o teu nome significa o mundo, e tenho de o negar a todo o custo, como se fosses um estranho que deixei de conhecer no passado. Talvez sejas mesmo um estranho, tão estranho quanto o que sinto por ti. Nem eu própria sei explicar ao certo se ainda gosto de ti ou se é apenas aquele carinho especial que nunca se foi embora.

De um segundo para o outro voltas a desaparecer, sem deixar rasto, mas não me meto. Afinal tenho uma certeza: já não me fazes falta, eu já sei viver sem ti faz muito muito tempo. Podes ir e voltar as vezes que quiseres, acho que já me habituei a ter-te mais tempo longe do que presente. Não sei se é bom, mas mau não será certamente. Não me alimentas falsos sentimentos de amor, disso eu sei! É por isso que quase posso jurar que não te amo mais! Só não corro esse risco porque não é hábito meu fazer juras.  Mas, não me és indiferente, não posso negar tal evidência.

Parece que estamos a jogar algum jogo, ora arranjas uns segundos para me dizer "Olá" como logo de seguida estás dias ocupado. Mas, sabes? isso não me incomoda, já não te amo mais, como antes. Se isso é um jogo, podes continuar a jogar, não haverá nenhum retorno. Garanto que já não é amor e, um dia, já vencida pelo cansaço, deixarei de te dar esta atenção e voltar a ignorar que existes.

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