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Lembro-me como se fosse hoje

por *Márcia S.*, em 20.08.15

Lembro-me de ter escrito esta publicação aqui no blog. Lembro-me de as lágrimas ainda caírem enquanto escrevia e nem fazia ideia que ia ser um "destaque do sapo" (até porque nunca escrevi aqui com o intuito de ser destacada, mas de partilhar parte da minha vida. A outra não, porque não sou obrigada!). Nessa altura chorava quando falava no assunto e somente sozinha. Já controlava a emoção a falar com as outras pessoas, apesar de evitar falar no assunto durante muito tempo. Este foi o tema que destapei com desconhecidos e que decidi usar para avaliar a reacção das pessoas.
Hoje falo abertamente sobre o tema, não deito uma única lágrima esteja sozinha ou com pessoas. Só nunca o testei com um certo tipo de pessoas (psicólogos), aí não prometo nada até porque sabem bem chegar onde querem. Hoje consigo responder a tudo, abordar o tema  a "nu" de forma tranquila e sem complexos.
completamente Durante muito tempo foi tabu. Foi o medo de ser julgada, o medo de chorar, o medo de fraquejar, foi o medo no geral. Já passou, o assunto encerrou e sem dúvida alguma que não mexe comigo (no sentido de saber suportar e não sofrer no caso de voltar a acontecer).
O que as pessoas mais mostraram admiração, quando ouviram parte da história, foi o tempo que tudo durou, o tempo que eu aguentei sem "pedir ajuda" ou "fazer queixa" como me disseram. Uma pessoa, mais experiente no assunto, perguntou-me se eu percebi o que perdi todos aqueles anos. Obviamente que soube responder, e só aí terminou a conversa (provavelmente transmiti com a minha resposta o que ela queria saber), com uma palavra. Mas isso é tema para outro dia.

A minha VIDA voltou ao normal, felizmente.

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10 comentários

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De Andy Bloig a 20.08.2015 às 11:13

Isso é muito duro de enfrentar... quando não estás preparada.
Então quando as pessoas se agrupam para "te gozar"... as forças fogem.

Na altura que andava na escola, também sofria disso. Eu era um gordinho, "caixa de óculos" que se dava com toda a gente mas, não fugia dos confrontos. Por isso, era um alvo fácil para aqueles que queriam mostrar que eram personalidades. Aceitava o que eles faziam e jogava com isso. Sim, jogava com isso. A maioria dos que fazem bully são de tal forma estúpidos que se perdem na forma como o fazem. (para raparigas, isso é muito mais complicado de fazer... principalmente porque eu era um "tanque" de 100kg e 1,80. Por isso, a maioria não se atrevia a ameaçar por terem medo... quando eu nunca usaria a força física para algo desse género.)
Quando eles viam que por mais que falassem, não conseguiam beliscar-me, desistiam.
Na universidade, a única discussão que tive com os "veteranos" foi quando quiseram exagerar numa praxe a duas raparigas do meu curso. Claro que eles se vingaram em mim... e levaram a bola de volta. Nos outros 3 anos que lá andei, tinha sempre lugar na comissão de praxes, sem ser preciso pedir nada. Algo que era "impossível", pois não sou pessoa de festas ou andar a dar graxa. Se não tivesse decidido a desistir da universidade, já tinha uma equipa para liderar a associação naquele ano, pois os 3 grupos que andavam a organizar-se para as eleições, tinham chegado à conclusão que eu era a forma mais simples de evitar discussões (e gastos). Um dos grupos já o tinha tentado no ano anterior. Só que já tinha decidido, só a ex-namorada sabia, o resto achou esquisito eu não aceitar algo que 100 e tal pessoas (que não se entendiam nas coisas básicas...) tinham chegado a acordo. Já a meio do 2 semestre é que juntei aquele grupo e expliquei porque é que não tinha aceite o pedido deles. (foram mais complicados esses dias do que os tempos dos bullies... tanta gente a querer dar conselhos e não entenderem que quando decido algo, já sei todas as vertentes do que estou a fazer)
O melhor é mesmo seres assim como és. E nunca se perde tempo... tudo é aprendizagem.
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De *Márcia S.* a 20.08.2015 às 11:25

Então imagina esse peso, e chegou a mais, mas numa pessoa MUITO mais baixa.
A sorte deles, e muita vezes meu azar, é que sempre fui de "comer e calar". Também porque sempre consegui aguentar muito mais do que julguei conseguir. 5-8 anos a aguentar estas m.... é dose. Cheguei ao fim completamente alterada psicologicamente e sem saber com quem falar. Foi aí que comecei a escrever mais (coisas que nunca ninguém leu). Muita da sorte dos que me fizeram aquilo é que não sou muito rancorosa e conseguia, sem saber como, ser humilhada e a seguir ajudar no que precisavam sem pedir nada em troca. A minha simpatia exagerada, a vontade de ajudar todo o mundo sem segundas intenções e não ligar ao que me diziam (ligava mas por dentro), fez-me um alvo demasiado simples.
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De Andy Bloig a 20.08.2015 às 11:51

O seres simpática era uma forma de mostrares que por mais que te fizessem mal, a tua vida não devia depender disso (é complicado de se fazer... agora já viste que é possível e nem é complicado. Claro que a vida social é diferente daquela que sempre imaginaste)
A dificuldade é mesmo conseguires fazer isso numa altura em que se começam a delinear as personalidades.
E as pessoas com quem te davas, teriam de aceitar o que és (nessa altura a cultura de grupos é como ver 20 lobos a lutar por um ossinho de frango).

O estar habituado a controlar tudo o que faço e o que se passa à minha volta, era a melhor arma que tinha para aqueles. Também dava força aquelas pessoas com quem me dava melhor. Por outro lado, nunca fui capaz de ficar fora quando via que as pessoas estavam a ser injustas (ou a exagerar em algo) com alguma pessoa, então se fosse da minha turma, eu era o primeiro a enfrentar quem estivesse a exagerar, colega ou desconhecido.
Só que sou muito arrogante (já deves ter notado isso ) e sei que ser aquela pessoa que lidera e que puxa pelos outros, não é para mim. Trabalho sozinho, gosto de tomar as decisões todas e gosto que tudo o que faço só me afecte a mim. Nunca aceitei qualquer posição de liderança mesmo por saber que sou assim.
A maioria das pessoas que me conheceram/conhecem, nem conseguem imaginar até onde posso ir...
Para veres que sou "esquisito": No meu 10 ano fui parar a uma turma onde só conhecia 1 rapariga (da turma do 9 ano) e 1 rapaz com quem jogava à bola nas ruas. Quando chega aquela coisa da votação de delegado de turma, já me dava com 4 raparigas(sem ser a minha antiga colega) e com os rapazes (rapazes é muito simples de se entenderem... falamos todos a mesma língua). Quando se chega a contar os votos, eu tive 5 votos. Sei que as 4 votaram em mim e 1 voto nunca descobri quem foi. Os rapazes não foram (tinhamos combinado votar todos no mesmo e os números estavam certos). Das raparigas, a maioria nem sequer sabiam quem eu era. Toda a gente disse que tinham sido as 4 e eu a votar... Eu NUNCA voto em mim para nada. Não tenho capacidade para me avaliar para algo que tenha de fazer pelos outros.
No 11, um grupo de raparigas, acharam que eu era a boa vítima para delegado. Andaram a tentar meter a ideia na cabeça das outras e dos rapazes, eu voltei aquilo contra uma delas... a que teve a ideia. Quando se entrou para a votação, foi pedido aos candidatos para irem discursar. 3 rapazes e 2 raparigas. Eu não me levantei... Votámos e apareceram 2 votos em mim. Um foi da minha melhor amiga. O outro... de alguém, provavelmente a mesma pessoa que votou no ano anterior. Novamente, andei a perguntar e toda a gente dizia que fui eu e ela a votar em mim...
No 12, por causa do baile e viagem de finalistas, foi por candidatura. Surgiram 3 raparigas e 1 rapaz. Na votação surgiu 1 voto em mim na 1 ronda. Só me lembro de me levantar da cadeira, "Olhem lá, quem é que anda a deitar o voto para o lixo a votar em mim?". Os rapazes todos a rirem, a rapariga que estava ao meu lado ía caíndo da cadeira de tanto rir (eu sabia em quem ela votou). No final da aula, toda a gente pensou que eu estava a fazer aquela cena mesmo para o pessoal se rir, porque aquele voto levou a votação a segunda ronda, quem votou em mim, se tivesse votado num dos outros 2, tinha decidido aquilo na 1 ronda. Só 1 pessoa daquela turma, sabe que eu estava a dizer a verdade... nunca descobri quem era. Sei que era uma rapariga e não era nenhuma das que me eram próximas. Foi o único mistério que nunca consegui resolver...
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De *Márcia S.* a 20.08.2015 às 12:09

Eu desejei tanto que me dessem antes um estalo (sempre me ia conseguir defender... mas elas eram medrosas para isso. só o fariam se todas as amigas alinhassem) do que certas coisas que diziam.
A tua arrogância não me incomoda, também o sou. Por vezes até me arrependo porque exagero na forma como falo, mas acontece.
Eu sempre avisei que não queria nada ser delegada, e nisso sempre tive muita sorte porque os que votavam em mim eram minoria. Eu sabia que dava conta do recado mas não me apetecia ter mais dores de cabeça, as que tinha já chegavam. Eu também prefiro os trabalhos individuais porque sei com o que posso contar. Demoro muito a confiar nas pessoas e prejudicava-me em trabalhos de grupo porque ficava eu sobrecarregada com pesquisas, edição e preparação da apresentação. Mas corria muito melhor, para mim, porque sentia mais segurança assim. E assumia sempre os erros pelos outros.
Eu jogava muito com a minha arrogância, no secundário, com os rapazes. Porque alguns espertinhos tentavam ser "amigos" para ir contar as minhas coisas a raparigas. Raramente me viam os dentes e foi das poucas vezes que eu me "defendi", porque nunca me faziam nada na cara.
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De Andy Bloig a 20.08.2015 às 12:37

As pessoas exageram e não há volta a dar...
Naquele caso, é algo que me sobrou porque nunca tive algo que não soubesse o que era. Só que aquele voto misterioso sempre me deu volta à cabeça. Quando tentar procurar quem poderia ter votado em mim, simplesmente não conseguia chegar a nenhuma conclusão. Mesmo já no 12, cheguei a pensar que poderia ser 1 de 3 raparigas, que se mantinham afastadas da maioria da turma. Toda a gente sabia que eu tinha predilecção especial por uma delas, era das poucas pessoas que falava com elas abertamente (e sem limitações). Só que, segundo o que sempre pensei, nunca alguma delas iria votar em mim. Só que, excluindo as outras pessoas todas, e dava-me com toda a gente por igual, ficava sem ninguém como suspeita. Sabia que era uma rapariga, também porque vi um papel, em contraluz , e notei que quem votou, usou os meus 2 nomes próprios. Toda a gente me trata só por um deles. A maioria nem sabe que não é o meu primeiro nome.

No entanto, sempre tive sorte com as turmas onde estive. Podiam existir aqueles grupinhos mais puxados só que, rapidamente, saltavam fora. Normalmente os maiores problema era com grupos de miúdos que se armavam em cavalos de corrida e eu não recuava. (era sempre assim que andava à tareia com alguém... 10 contra 1. 5 contra 1.... nunca tive a sorte de ser 1 contra 1, e os meus colegas acabam por se juntar a mim e os parvos fugiam)
Trabalhos de grupo nunca tive problemas.
Como não estudava, até era engraçado estar com algumas pessoas a fazer trabalhos sobre coisas que tinham passado horas a estudar. Também era eu que apanhava pelas falhas. Sempre dei o corpo ás balas. Pior, reagia muito mais depressa do que qualquer outra pessoa.
Num teatro (creio que no final do 11) estava com 2 colegas, uma delas com quem nunca tinha trabalhado. A outra já era do meu grupo, até ter acontecido um acidente à minha melhor amiga que a obrigou a abandonar a escola a meio do ano. Quiseram fazer algo tão teórico que aquilo estava horrível. E, aqui o cromo, só conseguiu meter 1 piada no texto. Quando fomos apresentar, começou logo mal. A rapariga que me conhecia ficou com "pés frios" e teve medo da cena final (eu dizia a minha piada e agarrava nela ao colo para sair da sala e terminar a peça). A melhor amiga dela era alguém com quem eu tinha andado no 9 ano, por isso pediu-lhe conselhos. Naquele dia apareceu na escola com uma saia curta... ela que odiava andar de saias curtas. Lá tivemos de alterar a cena final (não ia agarrar na rapariga ao colo com aquela saia...). Elas tiveram a 2 cena e correu bem. Quando fui eu, a outra estava super nervosa (os calmantes que ela tomava tinham... desaparecido antes dela os poder tomar) e começou-se a enganar naquelas coisas técnicas que tinha para dizer. Eu mudei o texto para umas coisas mais simples de entender e que tinham graça. Quando ela estava a ponto de explodir por não conseguir acompanhar-me, meti uma piada para toda a gente se desatar a rir, agarrei-lhe as mãos e disse-lhe para se deixar levar que eu voltava ao texto nas frases finais. Ela lá se acalmou (só 2 ou 3 pessoas notaram que eu agarrar-lhe as mãos e falar com ela a sussurrar não era da peça) e levei-a de volta ao texto. Terminámos a peça comigo e a outra colega abraçados e a sair da sala. ("Vamos beber esta garrafa de água toda." "Assim é que deve ser. Beber água faz bem e não se devem beber bebidas alcoólicas." "Querida, não lhe digas que esta água é importada da Rússia.")
Na discussão da peça eu é que levei "tareia" da professora porque fugi ao texto que lhe tínhamos entregue. Ela deu 13 ou 14 ás minhas colegas e deu-me 10 a mim. Aceitei, quando a minha amiga se passa e discute com a professora. Porque tinha sido a minha improvisação que safou a outra e que a cena final não foi tão engraçada, porque ela teve medo do que a turma pensaria em ver-me com ela ao colo. Acabámos com 11... e um quase incidente quando lhe ia dar um beijinho e ela virou a cara demasiado depressa.
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De *Márcia S.* a 20.08.2015 às 12:54

Pelo menos acabou em bem.
A mim aconteceu no secundário, também num trabalho de grupo, era suposto sermos grupos de 4 (numa turma com uns 20/23) e eu só me dava com uma rapariga e um rapaz, acabamos por ficar os 3 só! Com a rapariga era tranquilo, sabia lidar com ela. Mas ele, meu deus! Sabia, mas ao mesmo tempo não, lidar com ele. Ele basicamente não fez nada na teoria, mas não me importei. Mas na apresentação não dizia duas seguidas. Obviamente que a professora percebeu que ele não fez nada, porque como se engasgava todo era eu e a outra que tínhamos de ir ajudando no discurso dele. Só não gosto de trabalhar em grupo com pessoas muito nervosas, porque muitos se tornam violentos (óbvio que estou a referir-me a um caso especifico). Tenho tendência a levantar a voz quando estou a atingir o limite (passo do 8 ao 80 numa rapidez em alguns casos, mas o bom é que consigo suportar muito antes de reagir).
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De Andy Bloig a 20.08.2015 às 14:08

Eu sempre fui um "nervos de aço".
Por isso, como não tinha grupo certo, costumava ir parar aqueles grupos, ao estilo do teu. Algumas vezes, ficava de parte, porque estavamos a fazer os trabalhos e eu estava a mudar os temas das conversas ou tentava que elas deixassem de ser tão sérias e preocupadas. ("vantagens" de ter turmas de 30 pessoas onde eram 8 rapazes, sendo que 4 já eram mais velhos e pouco ligavam ao grupo dos rapazes mais novos)
Sabia da matéria e, muitas vezes, não precisava de estar a ler livros e livros sobre isto e aquilo. Sempre soube improvisar e nunca fiquei com "língua presa" a apresentar algo, mesmo com pessoas que não conheço de lado nenhum. (a nível profissional já vi caras "feias" ao estar a tratar por tu pessoas que adquiriram o Dr (Dra) adicionado ao nome e acham que é falta de respeito não os tratar dessa forma... ainda mais alguém que acabaram de conhecer)
A única coisa que sempre recusei, foi ir parar a grupos que sabia serem pessoas fixas e que se conheciam bem. (e uma stora de Português passou 2 anos a tentar que eu ficasse num grupo de raparigas que se mantinham afastadas das palhaçadas que o resto da turma fazia e ela me queria ver a escrever algo juntamente com a melhor aluna da turma... sempre consegui escapar, mesmo quando fiquei sem a melhor amiga e o meu grupo ficou reduzido a 2)
Gostava mais de estar em grupos disfuncionais e organizá-lo de forma a que todos mandassem mais que eu... sendo que as decisões principais eram tomadas por mim e só as passava, em pequenos pedaços, de forma a que os colegas escolhessem... aquilo que eu queria. E, no final, eu era o que aceitava as escolhas todas. (mesmo quando não gostava das opções, adaptava-me rapidamente.)
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De *Márcia S.* a 20.08.2015 às 14:15

Eu em trabalhos escolares sempre trabalhei melhor sobre pressão. Quanto menos tempo tenho para fazer melhor. Tenho menos tempo para pensar e faço mais rápido.
Só detestava que me viessem dizer que eu era melhor para porta voz. Infelizmente era demasiado tímida para tal coisa mas aceitava, serviu sempre para encarar melhor os outros.
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De Andy Bloig a 20.08.2015 às 14:24

Só ficava na frente, quando sabia que não existia qualquer ganho com isso. Se a pessoa que fizesse aquela apresentação mais directa pudesse ganhar mais uns pontos, eu não o fazia. Podia ajudar a criar o texto que essa pessoa iria apresentar mas, eu não precisava da nota.
Se visse é que o pessoal do grupo se iria derreter, então eu tomava o comando.

Alguns professores não gostavam dessa minha faceta... por ser demasiado adaptável, eles não sabiam o que tinham à espera. E os meus grupos nunca falharam, mesmo quando era impossível de cumprir.
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De *Márcia S.* a 20.08.2015 às 14:31

Vai falando que tou a rever o meu passado mais recente xD.
Eu nunca gostei de falar muito por isso apresentações detestava. Eu sou mais de agir.

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