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Quando a memória resolve falhar

por *Márcia S.*, em 10.02.18

Não é a primeira vez que me dou conta de que a minha memória me vai traindo em coisas do passado. Não é que seja mau, pelo contrário, percebo por mim mesma que esqueci de situações completamente irrelevantes para a minha vida neste momento. Até mesmo para o futuro, não preciso delas. Porém, torna-se frustrante saber que vivi "aquilo" mas não me virem essas imagens ao pensamento. Fico bastante surpreendida com tal situação, pois costumo ter boa memória de quase tudo que se passa pela minha vida, e uma boa memória fotográfica das coisas mais importantes (e outras nem tanto). 

Existem situações de infância que me ocorrem flashes, imagens, o que lhes quiserem chamar, no pensamento.Estas são situações que normalmente acontecem, felizmente, sem eu ter de "puxar muito pela cabeça". 

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Jogar pelo seguro

por *Márcia S.*, em 05.02.18

Sempre tive imensas manias na minha vida, uma delas era jogar sempre pelo seguro. O que muitas vezes me fez não arriscar, quase sempre por não me sentir confortável com tal situação. O medo de arriscar, o desconforto, a forma como via o mundo e, quem sabe, a solidão me fizeram sempre jogar pelo seguro. Preferi resguardar-me de muita coisa durante a adolescência, privando-me de tantas outras, para não arriscar demasiado. Ao longo do tempo foi tudo se tornando habitual e eu, como assim decidi, resguardei-me de mil e uma coisas que quase enlouqueci. Porém, hoje agradeço a mim mesma por me ter poupado a certas figuras tristes que vi muitos a passarem. 

Mas, hoje, sou capaz de jogar do lado seguro e preferir o oposto. Não é que vá fazer o que não fiz na adolescência, mas arrisco muito mais (sem receios, sem medos, sem pensar vinte vezes primeiro) do que me prendo para não arriscar quando o meu coração me manda avançar.

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A certa altura a magia acontece...

por *Márcia S.*, em 03.02.18

...ou melhor dizendo, o nosso interior começa a exteriorizar tudo o que sente. Se há coisa que eu me arrependo do meu passado, a única coisa mesmo, é de não ter aberto os olhos para as coisas boas do mundo a tempo de agir nos tempos certos. Mas, como não podemos andar para trás no tempo e emendar os nossos erros, vemos a tal "magia" acontecer de uma forma ou de outra. Aprendi, como por magia, a identificar só com o olhar as pessoas que realmente não eram boas para comigo e as que valiam a pena. Aprendi, mesmo que a ter de bater várias vezes com a cabeça, que nem sempre o que fazemos corresponde ao que sentimos e isso fez-me tanta mas tanta confusão!! Não me cabia na cabeça imaginar que eu sentia algo mas fazia ou proporcionava uma situação completamente distinta do que seria suposto. A certa altura a magia acontece... sonhei com esta frase há coisa de uns dias atrás e a realidade é que fiquei com ela na mente. 

A certa altura a magia acontece, nós acabamos por nos tornar mais maduros (ou assim deveria ser), percebemos que nem tudo no mundo é como imaginamos e que temos de agir, agir para marcar a diferença, para marcar a nossa presença. De que vale a pena afinal viver se não deixarmos a nossa marca enquanto por aqui andamos? A certa altura a magia aconteceu quando na minha mente uma das perguntas não desaparecia, provavelmente por lá no fundo eu saber que não a tinha respondido de forma coerente como ela merecia, "afinal, vais continuar a não mostrar quem és a vida toda?". 

A certa altura a magia acontece, e aconteceu! Quem me conheceu no passado não me reconhece mais hoje. Quem me conhece hoje não consegue imaginar como fui e senti no passado. Afinal, eu ainda consigo deixar de lado a timidez, afinal eu ainda consigo deixar de lado todo o nervosismo. Afinal, eu ainda consigo exprimir o que penso e sinto sem gaguejar. Tudo acaba por ter algumas consequências. Esta minha mudança quase momentânea, trouxe comigo algo que eu nunca tive antes que é o facto de conseguir quase falar sem pensar. Até hoje não me arrependi disso mas é certo que tem de ser controlado, não deixar que isso me domine os pensamentos. 

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Quando eu era adolescente era...

por *Márcia S.*, em 02.02.18

... uma miúda parva que parecia não saber reagir a nada. Podiam fazer e falar o que quisessem que eu ficava simplesmente parada no meu canto. Como se eu fosse um poço de medos. Na verdade, devido a todas as minhas inseguranças, eu era mesmo um poço de medos. Medos esses que por vezes, em momentos mais frágeis, voltam a aparecer. 

No fundo era uma adolescente que aos poucos se foi tornando revoltada. Revoltada comigo, com a vida e com todos os que me rodeavam. Revoltada com o mundo em geral. Era parva, e felizmente que a adolescência é realmente apenas uma fase. Uma fase longa que parece não ter fim, nunca ter fim. Mas na realidade não passa de uma fase e a minha quando terminou foi como se me tivesse tornado numa pessoa nova. Deixar tudo o que me fazia recuar, para trás. Deixar tudo o que me fazia mal, deixar todos os que me faziam recuar na minha caminhada que deveria ser sempre em frente (mesmo que com alguns desvios pelo caminho). 

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A insegurança que tive

por *Márcia S.*, em 24.01.18

Já confessei diversas vezes que fui durante muitos anos uma miúda insegura. Não nego que, em parte, essa insegurança ainda vai estando presente (se bem que muito pouca). De qualquer forma, aos poucos esse assunto deixou de ser Tabu. Deixou de dar arrepios quando falo de inseguranças minhas. Muitas delas ficaram no passado, ao longo do tempo fui aprendendo certas coisas que me fizeram ir perdendo essas mesmas inseguranças. Aprendi que antes de gostar de alguém tenho de gostar de mim, ponto este que já faz parte do meu dia-a-dia há algum tempo. Aprendi a confiar mais em mim, no que penso, no que sinto, na pessoa que sou. Parecendo que não, confiar mais em mim acaba por me tornar aos bocadinhos menos insegura. Por último, aprendi a não demonstrar essa insegurança. De certa forma, não dar a conhecer a quem não for da minha confiança que sou uma pessoa que tem inseguranças nisto ou naquilo. 

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