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Quando eu era adolescente era...

por *Márcia S.*, em 02.02.18

... uma miúda parva que parecia não saber reagir a nada. Podiam fazer e falar o que quisessem que eu ficava simplesmente parada no meu canto. Como se eu fosse um poço de medos. Na verdade, devido a todas as minhas inseguranças, eu era mesmo um poço de medos. Medos esses que por vezes, em momentos mais frágeis, voltam a aparecer. 

No fundo era uma adolescente que aos poucos se foi tornando revoltada. Revoltada comigo, com a vida e com todos os que me rodeavam. Revoltada com o mundo em geral. Era parva, e felizmente que a adolescência é realmente apenas uma fase. Uma fase longa que parece não ter fim, nunca ter fim. Mas na realidade não passa de uma fase e a minha quando terminou foi como se me tivesse tornado numa pessoa nova. Deixar tudo o que me fazia recuar, para trás. Deixar tudo o que me fazia mal, deixar todos os que me faziam recuar na minha caminhada que deveria ser sempre em frente (mesmo que com alguns desvios pelo caminho). 

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Com os danos vamos crescendo

por *Márcia S.*, em 02.02.18

Sou daquelas pessoas que detesto falhar. Pode não estar tudo perfeito, mas não pode estar errado. Culpo-me demasiado quando as coisas não são como desejei, como idealizei ou sonhei. Mesmo sem ter culpa, fico com um aperto enorme no coração por as coisas não darem certo como seria suposto. Ou será que não seria suposto darem certo? É sempre a dúvida com que fico quando não corre como esperava e tenho alguma crítica, seja ela qual for. Disseram-me, certo dia, que dava demasiado de mim ás pessoas e por isso me desiludia tanto, por isso sofria tanto por algo não "dar certo". Penso que interiorizei isso demasiado, pois após me ter libertado do que me fazia não me mostrar ás pessoas voltei a fechar portas que tinha aberto a muito custo. Para "não me dar demasiado ás pessoas", porque no fundo acreditei ser isso que me fazia sair magoada das situações, porque no fundo (e mais uma vez) me culpei de tudo. Estava tudo a ficar desorientado, mesmo me sentindo livre e feliz. Faltava-me algo, algo que me completasse e foram várias as vezes que falei a amigas como me sentia, o quanto sentia falta do meu coração estar tranquilo e o seguir por onde ele quisesse ir. Mas logo em seguida me culpava, porque a culpa era minha por estar nessa situação, porque se tudo o que esperei não se prolongou era porque eu "dei demasiado de mim". Tinha/tenho 1001 sonhos para realizar, uns que luto todos os dias por eles, outros ainda não descobri a formula secreta para conseguir lutar por eles. No meio de tantos sonhos arranjava tempo para sentir que algo me faltava. Mas, de certa forma, cansei de tentar, cansei de procurar algo que não sabia se existia. Por qualquer motivo, estava reticente a tudo isso por algo que me teriam dito de boa vontade e eu interpretei como sendo algo mau que eu tinha em mim. 

Mas, nem sempre conseguimos levar essas nossas manias para a frente e foi com esses pequenos grandes erros que tomamos ao longo da vida que vamos crescendo em vários aspectos. Durou pouco tempo culpar-me do que realmente não tenho culpa, porque houve um alguém que não desistiu de me abrir os olhos para a realidade. Que não desistiu de me fazer ver que eu não tenho culpa das coisas não darem certo, que não tenho culpa que o destino me troque as voltas. E se assim não tinha de ser, quem sou eu para reclamar? Segui a minha vida, e esse alguém continuou sempre a meu lado, sem desistir de me fazer ver a verdade do que me rodeava. 

Houve alguém que me foi fazendo sorrir diariamente só porque sim, e por mais que eu quisesse ser fria, não mostrar sentimentos ou que não tinha coração não conseguia. Houve alguém que soube concertar o que, num passado, me destruíram. Houve alguém que quis segurar-me quando eu menos esperava que existisse alguém a meu lado. E esse alguém foi o melhor acaso que o destino decidiu cruzar na minha vida, porque ao fim de anos me sinto completa!

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