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Posso falar de amor?

por *Márcia S.*, em 27.12.15

Já faz alguns anos que deixei de amar. Não só por vontade própria, mas principalmente por isso. Houve uma altura, talvez mais importante neste sentido, que tive alguém presente. Alguém que deixei entrar na minha vida só nas "coisas boas", nunca quis partilhar as minhas más experiencias no mundo lá fora. Nunca menti, apenas não expliquei na altura o porquê de algumas inseguranças que outrora tive. Foram lágrimas, centenas delas, derramadas quando chegou o nosso fim. Lágrimas essas que me fizeram crescer. Costumam dizer que "longe da vista, longe do coração" mas será realmente assim? Talvez sim, talvez não. Pensei nesse alguém todos os dias nos últimos anos. Passou do amor ao ódio, do ódio à raiva e da raiva à indiferença sentimental. Sim, eu odiei aquele que outrora foi o "meu grande amor", a pessoa que mais amei nos meus vinte e poucos anos. Amei-o mais que a mim mesma, com as forças que tinha e com as que não tinha. Durante meses procurei-o em cada canto e recanto, até chegar ao ponto de ter de guardar todas as lembranças (físicas) que teria dele. Não resultou, pois as memórias não se apagam e ainda hoje as tenho, mesmo não sentindo o mesmo.

Foi um dia em que levei um "balde de água fria" que a minha vida recomeçou, nunca a 100% no amor. Essa pessoa levou um pedaço de mim com ela, provavelmente aquele que me faria voltar a amar outro alguém. Já tentei, juro que sim, mas tornei o meu pequeno coração num grande cubo de gelo incapaz de amar nem tão pouco esse mesmo alguém. É uma pessoa que eu já não amo, mas tenho um carinho especial. Eu... bem, eu tornei-me numa pessoa fria, cautelosa, sem capacidade nem vontade para amar alguém.

Tenho os meus sentimentos bloqueados para o amor. Tive de perder alguém, para perder algo de tão bom que é este sentimento. Não me reconheço mais na menina apaixonada que fui. Não que seja mau estar assim, tornou-se um hábito tal que agora seria estranho voltar a amar. Habituei-me a este "sentimento congelado", a esta forma de ser/estar sem ninguém com que me preocupar.

Talvez tenha perdido a capacidade de sentir algo tão bom. Talvez eu não queira mesmo e rejeite a ideia de num futuro próximo ter alguém a quem dizer um verdadeiro "amo-te".

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