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O meu mundo

por *Márcia S.*, em 24.08.15

Os meus pais chegaram a dizer que eu vivo muito no meu mundo. Até certo ponto têm razão, tenho um mundo muito meu que até hoje só deixei uma pessoa entrar nele sempre com uma barreira ou outra. No entanto tenho uma coisa que algumas pessoas desconhecem em mim porque não são assim, consigo adaptar-me a outros mundos quando me permitem entrar neles. Consigo ser um livro aberto para quem me souber entender, mas complexa de mais para quem não se dá ao trabalho de conhecer. Não nasci complexa, tornei-me assim a muito custo com os meus motivos. Afasto muita gente da minha vida, de uma forma muito arrogante e já tive problemas com isso mas aprendi e ensinei algumas pessoas a ver o meu ponto de vista. Todos precisamos de alguém, duvido que a solidão seja boa a longo prazo, mas não precisamos de toda a gente. Eu só preciso de quem acho que mereceu entrar na minha vida, seja lá de que forma for. Visto ser um tanto complexa vejo que só merece entrar na minha vida quem se esforçou para perceber o porquê das minhas acções e atitudes.
Normalmente sigo o caminho mais difícil de alcançar os meus objectivos, de me relacionar com alguém e de me dar a conhecer. É, para algumas pessoas, estranho mas eu gosto de pessoas difíceis. Quanto mais difíceis e "misteriosas", mais vontade eu tenho de as conhecer. Já me arrependi tanto com este meu feitio, mas já tive tantas surpresas boas que me fez continuar a querer manter-me assim.
Um dia, conheci uma pessoa extremamente difícil de lidar. Talvez a mais complicada que até hoje conheci. Julgou-me mal me conheceu e eu dei-lhe espaço, até voltar a insistir e ouvi algo do tipo "tu outra vez? não te cansas?". Só me canso de pessoas que não valem a pena, e senti que não era o caso. Mais tarde, houve pedido de desculpa, abriu-me a porta do seu mundo e éramos uma espécie de "almas gémeas". Fomos inseparáveis durante uns anos, coisas da vida que nos separaram mas nada de namoricos, não era nada disso. Era amor de amigos, porque também existe e naquela altura não tinha mal algum. As saudades são tramadas e já parti em busca desse passado em vão. Em vão porque já não encontrei a pessoa, provavelmente mudou tanto ao ponto de eu não a ter encontrado.

É a única pessoa que me recordo com mais saudade e obviamente que me conhecia melhor que ninguém. Se a reencontrasse não sei se a coragem era suficiente para a contactar, mas era um caso a pensar no momento.

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